Claire Varin
traduction du poème de Patrice Desbiens.)
Lembro-me de um pick-up cortando a noite
abrindo a noite nórdica como uma faca de caça
abre a sua presa
Estamos todos lá
Minhã mãe minhã irmã seu marido e seus filhos todos
neste carro é
Johnny B. Good Leblanc que dirige sua face fracamente
iluminada pela luz do painel
Sou o único passageiro que não dorme enquanto
prosseguimos com um mar de verde ferido de
cada lado
minha irmã dorme no assento da frente
a escuridão entrando e saindo da sua boca aberta
Noite longa e sem dobras
Noite longa e sem dobras
Noite longa e sem dobras
Noite longa e sem De repente
algo rasga o tecido algo se mexe
e
o pára-brisa vira tela de cinema os faróis
da Twentieth Century Fox e da Gulf Western iluminando
o animal o animal o alce bem no meio do caminho
que estaca e
crava os olhos no destino que roda a 100 por hora ao seu encontro
seus olhos seus olhos seus olhos oh deus o seu olhar até
ao último minuto e o choque surdo-mudo do ferro contra
a carne
e a irmã que acorda gritando um grande grito
feroz e
final como se a alma do alce tivesse passado para
ela ao
morrer e enfim
o silêncio
o silêncio do nosso silêncio no
silêncio entre
Timmins e Toronto.
(Traduit en portugais du Brésil)
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